Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) é um filme dirigido, produzido e roteirizado por Glauber Rocha.

Divulgação – Fonte: Wikimedia – Cinemateca Brasileira

Esse drama/faroeste que marcou uma geração ainda tem Walter Lima Jr. no roteiro a trilha sonora por Glauber Rocha, Sérgio Ricardo, Heitor Villa-Lobos. No elenco principal compõe a película  Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos, Mauricio do Valle. Com produção de Luiz Augusto Mendes.

Deus e o Diabo na Terra do Sol se passa metade do século XX, colocando em evidência um pouco da cultura e animismo do sertão nordestino da época, retratando de forma bem realista as vivências daquele povo.

A história se passa com o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) indo atravessar os gados no sertão nordestino e no caminho até a entrega acaba morrendo alguns gados para o atroz sertão.

No momento de entrega dos gados sobreviventes o coronel Moraes (Milton Roda) não aceita as perdas e toma os gados de Manuel como custo pelas perdas. Manuel que vive em plena miséria não aceita a lei imposta pelo coronel, e acaba assassinando-o em um momento de fúria.

A partir disso Manuel e sua família começa a ser perseguido por jagunços, e junto a esposa Rosa (Yoná Magalhães) fogem pelo sertão em busca de refúgio. Quando encontram o beato Sebastião (Lídio Silva), que em um catolicismo recheado pelo misticismo local, promete a Manuel que se o mesmo fizer o sacrifício de um bebê, terá fim o seu sofrimento e perseguição.

Ao mesmo tempo continua a perseguição a Manuel e sua família, e os grandes fazendeiros locais junto a padres da Igreja Católica local, contratam o matador de aluguel Antônio das Mortes (Maurício do Valle) um exterminador implacável.

Tudo isso é oferecido com um jogos de cena, edição, trilha sonora, de um estilo totalmente autoral de Glauber Rocha. Autoral e atual da sua época, que foi marcada por grandes diretores no cenário internacional. Considerado um marco do movimento “cinema novo”, com direito a ter como um dos autores da trilha sonora o maestro Heitor Villa-Lobos. Trazendo um realismo angustiante em uma narrativa constituídas de cenas com jogo de edição de imagens e poucos diálogos.

No mesmo momento que o Brasil vivia momento político intenso com o início da ditadura com golpe militar de 1964. O filme expõe o autoritarismo e miséria que até hoje nos assombra. Com pitadas da cultura nordestina, a seca, a produção artesanal de farinha, a pouca oferta de alimentação e acesso a educação, o coronelismo que ditava as regras sociais e o animismo que preenche a fé em um povo sofrido pelas intempéries por todos os lados.

O filme foi indicado a Palma de Ouro, contudo não levou o prêmio. Chegou a ser indicado a seleção do Oscar de Melhor Filme Internacional, mas também não foi escolhido para representar o Brasil na premiação.

É uma mistura faroeste, suspense, mistério em uma perspicaz critica social. Uma obra prima do cinema brasileiro.


Trailer:

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